"São 3 horas da manhã, você me chama pra falar coisas que só a gente entende. E com seu papo poesia me transcende..."

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

E Por Falar Em João...

Seu João foi um pensador que conheci em Tiradentes. Isto graças ao meu hotel ser um pouco mais longe da rodoviária, onde estava acontecendo o Festival de Cinema. Longe, longe até que não era, mas passava por uma estrada sem luz, e voltar à noite andando por ali não era exatamente uma boa. Aquele papo de sempre de que o seguro morreu de velho... Blá, blá, blá... Isso não é o mais importante. O ponto que se deve considerar é que todos os caminhos me levaram a conhecer Seu João. Um pensador que percorre as ruas com seu carro amarelo e espalha conhecimento por onde passa. Figura ilustríssima da cidade mineira.

Seu João foi o cara que apareceu em todo momento que eu precisei. Com toda empolgação e papo dignos de um mineiro. Não tinha problema com hora ou distância! Dormir? Pra quê? ”A vida é muito boa pra eu dormir. Qualquer coisa, pode me ligar”, ele me garantiu uma vez. E eu ligava! Muitas e muitas vezes. De modo que cheguei a conversar com todos de sua casa! É... Ele tinha secretários para facilitar seu serviço. Malandro Seu João... Falei com a mulher dele, o filho e, inclusive, com o Sr. Toninho, que eu não sei quem era, mas vale ser citado devido à simpatia ao telefone. O esquema era o seguinte: eu ligava e falava com eles, que por sua vez achavam o Seu João. E no final, ele me achava. Simples assim! Serviço de primeiro mundo! Uma beleza!

Tá... Você ainda está refletindo sobre o fato dele ter uma casa... Sim! Pensador moderno não vive sujo, pelas calçadas e vivendo de brisa. Não, não... A realidade atual é outra. O romantismo e a situação econômica do mundo também não são mais os mesmo. Ficou fácil encontrarmos, hoje em dia, pensadores à frente de um táxi, atrás do caixa de um supermercado ou na portaria. É só parar para conversar com eles um pouco e vai descobrir coisas fantásticas sobre a vida. Vide Seu João.

Se chovia? Lá estava ele com um guarda-chuva à tira colo. “Pode ficar. Agora, se por acaso ele te encher o saco jogue fora”. Desprendimento total com o mundo material! “Mas seu João, jogar fora? Ele tá inteirinho!”, eu ainda insistia. “Minha filha, se sair sol para quê você vai andar com esse troço? Vai atrapalhar seus passos e seu passeio”. Sábio Seu João, sábio...

Tão sábio e evoluído que tinha contato direto com os deuses. Até mesmo dirigindo! Uma vez, chegou a dizer, ao volante, em tom de profecia: “Vai chover tanto, mas tanto, que o casco do cavalo irá amolecer e o chifre da vaca minará água”. Bonito, não? Quase uma poesia. E não deu outra. Choveu um bocado. Puro feeling...

Enfim, esse é Seu João. Pessoa do bem. Celebridade do dia-a-dia. Tão famoso como um ator de cinema e tão cheio de histórias como um filme. E que fica ali, exatamente ali na pracinha. Perto da rodoviária, onde a maioria das pessoas acreditaram estar acontecendo o único evento cultural da cidade. Tsc tsc tsc... Mal sabem eles...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Foi-se a época de João...

Acabei de chegar de Tiradentes, onde está rolando a 11ª Mostra de Cinema Brasileiro (vale dizer que quem não conhece o evento, precisa conhecer). O que até justifica a ausência de novas crônicas nesse blog. Fiquei perto das telas e longe do computador. De vez em quando isso é necessário. Uma vidinha “chata”, sabe? De longas, curtas, showzinhos, chopp gelado na praça, conversa fiada e como não poderia deixar de ser... compras! Não tem como parar em uma cidade histórica dessas e sair de lá sem uma casinha ou igrejinha em miniatura. Fato! E olha que eu estou pegando leve. Dependendo da grana que você tiver no bolso ou da loucura que tiver na cabeça o gasto pode ser muuuuito mais alto.

Bom, desse lado artesanal e consumista de Tiradentes eu sempre soube. O que eu não sabia, e que acabei descobrindo nessa minha última visita à cidade, é que existe um número exagerado de Vanessas nas lojinhas, hotéis e lanchonetes! E não é brincadeira. Ainda mais nas lojas! Eu entrava e “tchan nam”! Lá estava o nome! Se não era da vendedora, era da mulher que estava comprando. Meu Deus! Que loucura foi aquela!? Cheguei até a pensar que estava tendo um encontro das Vanessas da Comunidade do Orkut , para o qual eu não fui convidada. Ou quem sabe o esquenta de bloco de carnaval “Vai Nessas”, ou qualquer coisa do tipo.

Voltava para o hotel e dava de cara com outra Vanessa. Pedia um sanduíche e quem me atendia? A Vanessa! Céus! E todas entre 25 e 35 anos. Parei, inclusive, pra pensar se existiu alguma Vanessa famosa na década de 70, início dos 80, pra ter nascido tantas Vanessas assim (quem souber de algo, por favor, me avise). E o pior: eu bem tentei descobrir o que estava acontecendo, mas todas se fizeram de boba e riram quando eu perguntava se estava rolando alguma reunião secreta. Caramba... Que maluquice... E eu que pensava que nomezinho comum era João! Que aliás, só conheci um lá! Um mísero e único João! É mole? Já Vanessa...

O único aspecto positivo é que todas às vezes que eu voltava em algum lugar a comunicação era ótima entre eu e a atendente. Afinal, não dava pra esquecer da xará, não é? Eu, por exemplo, não esqueci até agora. Ainda estou aqui pensando se existem, mesmo, muitas Vanessas em Tiradentes ou se fui eu que entrei em muitas lojas. Dúvida cruel...